Site Loader
[google-translator]

Que os negócios estão sendo diretamente impactados em decorrência da COVID-19, sobretudo em nosso país, não é novidade. Talvez, todavia, o seu negócio esteja passando por essa crise, paradoxalmente, de forma excepcional. Muito cuidado, porém, pois a história econômica de nosso país nos mostra que em momentos de recessão, não devemos nos acomodar. Nossa crise, diferente de outros momentos já vividos, inclusive, vários deles pós anos 2000, é uma crise de abastecimento, ou no caso, de desabastecimento. E o que isso quer dizer?

 

Com os indicadores econômicos externos como por exemplo, o dólar, o mercado interno fica na maioria dos casos, não atrativo e até inviável para atendimento. Porém, você deve se recordar que antes da pandemia, estávamos justamente em uma situação de possível (ou pelo menos em grande expectativa) de recuperação econômica. Isso levou a um consumo desenfreado das famílias e empresas, ainda, e que em momentos de pandemia, houve grande demanda em muitos setores. Resultado: aumento inevitável dos indicadores inflação, que só não foi pior, em virtude da liberação de medidas emergenciais de crédito e estímulo de consumo. Sem produto, porém, não há oferta. Sem oferta, a briga por conseguir poucos produtos, eleva seu preço. Nesse sentido, muitos negócios parecem pouco afetados com a pandemia, e muitos empresários dizem estar “na contramão da crise”, respaldados por um crescimento de faturamento bruto e uma venda quase garantida dos produtos em estoque. A alta de preços, vista com muita frequência no segmento de construção civil, por exemplo, nos mostra isso. Os patamares de matérias-primas como aço, madeira, cimento, estão em preços jamais vistos, e isso, para alguns empresários remete a sucesso.

 

Como disse anteriormente, e novamente alerto, muito cuidado! Na chamada curva de retorno da economia, a tendência de normalização de demanda, faz com que os preços também sofram uma correção. Verifica-se, então, uma queda nos custos de aquisição, sobretudo quando houver uma normalização do câmbio para com nossa economia. Resultado? Seu estoque, adquirido a preços antigos, já não vale o que valia. E caso você esteja fazendo esse estoque, ou até comprando o que der, em virtude da indisponibilidade do seu fornecedor, quando esse momento de normalização de preço chegar, você corre grande risco de perda de valor desse estoque de imediato, ou seja toda a sua liquidez que você nunca havia conquistado e que nesse momento de pandemia parece estar tudo dando certo, irá embora, e seus problemas de fluxo de caixa poderão ser bastante severos.

 

A estrutura da gestão financeira deve seguir, a antecipação de cenários futuros. Para isso, mantenha um diálogo constante com seu fornecedor (principalmente se ele for a indústria que lhe fornece). O termômetro da economia, vem, sobretudo do setor primário e secundário (agro e industrial), e seu reflexo é imediato nos demais setores. E nesse momento, as dicas de ouro, jamais podem ser esquecidas, e vale a pena relembrá-las:

 

  • Está com muito estoque? Pense em criar liquidações, e mantenha o mais caixa possível. Com a normalização da demanda, é inevitável uma queda vertiginosa nos preços de aquisição;
  • Estabelecer os velhos e bons teto de compras, orçamento de compras, budget, forecast, são ótimas práticas. Não compre mais do que uma programação de curto prazo dentro de sua curva de demanda;
  • Analise de forma coerente e transparente com sua gestão de custos, as margens individuais. Não relute em suspender produtos do portfolio, agregar valor, e diminuir a concessão de crédito nesse momento;
  • Avalie não só o caixa, mas a lucratividade do seu negócio. Não fique vidrado somente no regime de caixa. Desenvolva o regime da competência e veja se operacionalmente seu negócio está valendo a pena – avalie indicadores como Margem de Contribuição (Lucro Bruto), EBITDA (Lucro Operacional), Alavancagem (endividamento);
  • Jamais deixe de ficar vigilante com o movimento financeiro de seu negócio. Em momentos que o país vai mal, dificilmente as empresas conseguem pleno sucesso;
  • Cuidado com investimentos excessivos. O crédito fácil nos seduz à renovação e benfeitorias. Avalie as prioridades, e jamais desmobilize caixa para esse fim.
  • Olho atento nas despesas operacionais. A tendência, em virtude do processo inflacionário é da mesma subir proporcionalmente até mais que a receita;
  • Planejamento tributário nunca fez tanto sentido como hoje.

 

Por Vinícius Souza, VOS Consultoria

Maio/2021

Autor do Post: Vinícius Souza